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Até nas canetas USB…

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No último fim de semana andava calmamente a fazer compras no Continente de Gaia, quando me deparei com isto:

Caneta Flash com Software Livre

Caneta Flash com Software Livre

Primeiro até pensei que estava a ver mal. Aqueles logótipos pareciam muito familiares. Depois achei que estava a sonhar. Mas não estava. Peguei na caneta da prateleira e lá em rodapé está discretamente mas bem visível a frase “Complete Open Source Software Suite Included”. Nem queria acreditar.

Claro que o exemplar de 4GB que tinha na mão ficou para mim. Não porque precisasse de outra caneta USB, mas pelo simbolismo que representa um objecto destes numa grande superfície. O Software Livre veio para ficar e está chegar às mãos dos utilizadores por vários meios. E esta foi mais uma forma disso acontecer.

Quando cheguei a casa pensei que isto podia ser um daqueles produtos desconhecidos que o Continente coloca à venda por serem baratos. Mas, mais uma vez, enganei-me. A FNAC também têm estas canetas Flash à venda. Curiosamente, no Continente custou 9,19€ e na FNAC o preço apresentado é 16€ (pode estar desactualizado).

O Software Livre é incrível!!! Por 9,19€ tenho uma caneta Flash com:

  • um Office completo (OpenOffice),
  • um programa para ver DVD, DivX e ouvir música (VLC),
  • um programa para navegar na Internet (Firefox),
  • um programa para gerir correio electrónico (Thunderbird)
  • Gestor de calendários (Sunbird),
  • Leitor de PDF e muitos outros utilitários.

Mais detalhes no press release da marca.

2º Encontro de Software Livre na Administração Pública -Dia 2

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O segundo dia foi mais calmo e sem grandes surpresas. A ODF Alliance tomou conta do dia. Antes do intervalo da manhã tivemos uma excelente apresentação por parte do Erwin Tenhumberg do grupo de trabalho da OASIS. A seguir ao intervalo presenciamos uma coisa muito interessante. O público ao entrar na sala tinha nos lugares uma folha A4 com algum texto relativo ao ODF, uma tabela e alguns logótipos. O que o Paulo Vilela da Sun conseguiu foi fantástico. Recriaram o documento que recebemos não numa aplicação, mas em várias aplicações que suportam ODF e nas plataformas mais usuais, nomeadamente: Linux e Mac.. ah. e Windows também.
Primeiro criaram um novo documento no Symphony da IBM (outro Office) em ambiente Windows. Escreveram umas frases, gravaram e reabriram o mesmo documento no OpenOffice. Continuaram a elaboração do documento. Voltaram a gravar, colocaram o ficheiro numa caneta USB e transferiram o ficheiro para um Mac OS onde continuaram a edição do mesmo com o NeoOffice. Transferiram o ficheiro para Linux onde o editaram com o OpenOffice. Em cada passagem, o documento ia aproximando-se do resultado final. Para terminar, voltaram a transferir o ficheiro para ambiente Windows, onde o abriram com o Word. É verdade. Com o Word preparado com o plugin ODF. Até neste caso as coisas correram bem. E pronto, foi demonstrado ao vivo a inter-operacionalidade do formato ODF. Esta é a funcionalidade que se pretende entre os utilizadores. Só a Microsoft é que parece não ver isso, agarrada aos seus formatos arcaicos que insistem em atrasar o avanço tecnológico.

A manhã terminou com uma fantástica apresentação do Gustavo Homem (ESOP) que expôs alguns casos de sucesso de migrações de clientes das empresas associadas da ESOP. Foi bastante esclarecedor. Por vezes, por falta de divulgação, pensamos que as coisas não evoluem, mas aí estão as provas. O Software livre veio para ficar, o mercado apenas pode atrasar o inevitável.

A parte da tarde foi interessante. Estive a participar de um workshop sobre migração para OpenOffice. Foi muito interessante, não pelo que aprendi, mas pelos relatos que ouvi dos participantes… por exemplo, sabiam que a empresa Radio Popular, nos mais de 1000 postos de trabalho em toda a península Ibérica, utiliza OpenOffice a 100% e Linux a 70%. É realmente fantástico. E isto relatado com entusiasmo pelo director técnico da própria empresa. Não é boato.

Também foi positivo estarem presentes três elementos da Assembleia da República. A lei passou e os técnicos vêm com agrado a perspectiva da mudança. Estão a reunir competências para futuramente poderem, com sucesso, responder aos pedidos de instalação de software livre nas máquinas dos deputados do PCP e BE. Os outros gostam muito do Bill.

Aprendi neste workshop duas dicas fabulosas para lidar com a resistência dos utilizadores à mudança. Mente-se!

  1. “Dizemos aos utilizadores que o OpenOffice é a mais recente versão do Office da Microsoft” - Presidente da ANSOL
  2. “Baralha-se os utilizadores! Eles nem percebem qual é o sistema operativo em que estão a trabalhar.” - Director Técnico da Radio Popular

Esta última dica aconteceu na prática. Os técnicos da Radio Popular colocaram o Windows o mais parecido possível com o ambiente Linux, o Linux o mais parecido com o ambiente Windows e fizeram o “deployment” simultâneo das duas imagens. Curiosamente, ao fim de algum tempo, os funcionários que estavam a utilizar a imagem Windows começaram a reclamar que a máquina do colega do lado era mais rápida e não “crashava” três vezes por dia, como a deles. Exigiam uma máquina igual.

E foram estas as minhas impressões do encontro deste ano. É agradável ver que as coisas estão a melhorar em cada ano. O software livre, cada ano que passa, melhora a sua imagem e depois do exemplo (que ainda está para vir) da Assembleia da República não vai demorar muito tempo para que o mundo empresarial desperte para esta realidade.

2º Encontro de Software Livre na Administração Pública - Dia 1

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Primeiro dia do evento. Mal cheguei tive uma desilusão… a máquina de projecção das apresentações era Windows XP. Em meu redor estava sempre a ouvir máquinas com Windows XP a arrancar (será possível desligar aquele som irritante?) e, para terminar, as instruções de ligação à rede sem fios só existiam para XP. Era apenas a definição do proxy (proxy!?), mas não deixa de ser ridículo. Lá se foi a vantagem do fantástico NetworkManager.
Vamos ver se nos entendemos. Se isto fosse um encontro organizado pela Microsoft eu até entendia. A sério que sim, mas num encontro dedicado ao software livre acho de muito mau gosto por parte da organização. Concordo que assim foi mais fácil para o público alvo. Os decisores da função pública… que acham muita piada ao software livre, mas preferem continuar a utilizar produtos pagos com o dinheiro dos contribuintes. A idade avançada da maior parte dos presentes pode ser um bom indicador. Será que finalmente os decisores públicos vieram ver se aprendiam alguma coisa? Espero que sim.

Estas são as minhas notas deste primeiro dia.

Na sessão de abertura alguém, acho que era o Director do LNEC, queria tanto falar bem de software livre que meteu os pés pelas mãos. A determinada altura foi mencionado um novo sistema operativo que eu não conhecia. O sistema operativo Apache. Enfim… (Sugestão para os administradores: Ninguém espera que vocês saibam questões técnicas. É para isso que servem os técnicos… mas em caso de dúvidas, perguntem.)

O primeiro bloco, Software Livre no ensino, começou… com uma apresentação em Microsoft Powerpoint. Qual será o problema desta administração pública? Felizmente, já vejo muita gente a falar de software livre, mas não vejo quase ninguém a utilizá-lo. A administração pública não utiliza software livre. Pelo menos, não nos desktops. Longe e escondidinho na fria sala dos servidores, tudo bem. Nas máquinas pessoais querem software proprietário. É o exemplo dos nossos grupos parlamentares… Das pessoas presentes que conheci, apenas quatro utilizavam Linux. Será que nem num evento destes os participantes se dignam a utilizar, pelo menos, o OpenOffice!? Enfim… Deste painel fiquei com a sensação que o ministério da educação tem um bom grupo de trabalho em software livre. No entanto, também acho que as expectativas são demasiado elevadas relativamente aos conhecimentos dos professores no terreno. As coisas avançam, mas lentamente. Os professores mais antigos, simplesmente, recusam as vantagens das tecnologias livres, por falta de conhecimentos, e atrapalham os professores novos que querem fazer alguma coisa.

Os casos de sucesso na administração pública são sempre uma luz no fim do túnel. A Câmara Municipal de Arraiolos está de parabéns. Com apenas dois técnicos implementaram, mantêm e dão suporte a uma enorme rede de postos de trabalho de funcionários, escolas, etc. O progresso dos trabalhos no Ministério da Justiça são sempre agradáveis de acompanhar. O contrato existente de licenciamento Microsoft vai terminar no final de 2008. A decisão de não renovar este contrato já foi tomada. Esta decisão vai implicar (apenas) uma poupança de 3 milhões de euros anuais de dinheiro público. Boa!

A seguir ao almoço estivemos a “ver” um cego a utilizar Ubuntu com as capacidades assistidas ligadas (Orca). Foi muito esclarecedor. O momento alto aconteceu quando o apresentador desligou o cabo do projector de vídeo. Deixamos de ver o que se passava, mas conseguíamos ouvir e deu para perceber como é que um invisual trabalha com um computador. A boa notícia é que estas tecnologias, além de livres, funcionam muito bem em Linux… e se para um utilizador normovisual o design do sistema operativo pode ser um factor preponderante, para os utilizadores com necessidades especiais, o que interessa é que as coisas funcionem, como acontece com Linux.

O último painel do dia foi fantástico. Debatendo o tema “Open Standards” várias empresas vieram declarar a sua relação com o software livre. A frase que fica é a seguinte, da excelente participação do Gustavo Homem da ESOP (Associação Nacional das empresas de Open Source): “Se o software livre é para hoje, os standards abertos são para ontem!”. Sem dúvida uma grande verdade. A famosa inter-operacionalidade só é possível, mesmo entre programas proprietários, se existirem standards abertos e livres. Passaram por este painel, sem grande surpresa, a ADOBE e a Autodesk. E para terminar o dia, a presença da Microsoft…

Devo dizer que admiro muito a coragem dos infelizes que a Microsoft envia para estes encontros. Chiça! Coitados! O enviado desta vez foi o Sr. Miguel Caldas. Este apresentador portou-se muito bem… no sentido cómico. É sem dúvida um grande entertainer (sem querer ofender). A apresentação foi feita num ambiente leve e descontraído e como a plateia existente não faz ideia do que passa realmente ao nível técnico, a mensagem passou. É realmente um feito de relações públicas por parte da Microsoft. Na prática actuar de uma forma e nestes eventos colocar os seus representantes a falar como se a Microsoft fosse uma vítima destes maluquinhos fundamentalistas do Software Livre.
Houve uma breve troca de argumentos entre o Sr. Miguel Caldas e o Sr. Gustavo Homem que se portou lindamente e onde fiquei a perceber que o Sr. Miguel Caldas se defendia com semântica. Resumindo a sua defesa, quando a implementação das aplicações foi efectuada não havia standards definidos. Ficamos, sem querer, a saber que o Office 2007 foi feito em 2001 e como ainda não havia ODF, não foi incluído. Certo! Fiquei convencido…
O Sr. Miguel Caldas, no sentido de melhorar a inter-operacionalidade dos produtos Microsoft com a concorrência, pediu à plateia para definir as necessidades da inter-operacionalidade. Vamos a isso. Aqui ficam as minhas sugestões:

  • Abrir a API do Exchange para permitir o acesso de clientes de terceiros, conforme decisão do tribunal Europeu.
  • Realmente abrir a API do Active Directory para permitir o acesso de clientes de terceiros, conforme decisão do tribunal Europeu.
  • Abrir a API dos documentos DOC, XLS e PPS para permitir o total acesso de terceiros, conforme decisão do tribunal Europeu.
  • Utilizar os standards existentes sem reinventar a roda, nomeadamente: HTML, CSS, Javascript, LDAP, IMAP, SMTP, etc.
  • Parar de manipular as comissões técnicas, do mundo em geral e em Portugal no particular, injectando, entre outros, representantes dos Gold Partner sem conhecimentos técnicos nas mesmas.
  • (Neste momento não me lembro de mais nada, mas reservo-me o direito de ir actualizando esta lista).

O Sr. Miguel Caldas perguntou a determinada altura à plateia se existia algum standard que a Microsoft não cumpria. Não resisti e pensei em voz alta “LDAP”, lembrando-me das semanas perdidas a tentar integrar o AD com o Fedora Directory Service. No final veio ter comigo para pedir esclarecimentos adicionais. Alegadamente, a Microsoft implementa o LDAP à risca. Certo! Aproveitei para incluir na minha lista de reclamações o HTML do IE7 que tantos problemas causa em todo mundo (estranhamente concordou comigo) e o IMAP do Exchange que inclui objectos binários que não existem no standard.

Tenho que admitir que foi possível manter uma conversa civilizada com o Sr. Miguel Caldas. No entanto, e repito, da maneira que fala não parece estar a falar da Microsoft que conhecemos.