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Fontes? Só há estas…

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Esta semana uma amiga minha andava muito preocupada!

A pedido dela, instalei Linux no portátil pessoal dela, que é partilhado pelas filhas. Instalei Linux no PC de trabalho dela, que é partilhado por outros utilizadores. E nas férias comprou um eeepc, evidentemente, a versão com Linux. Instalei-lhe Foresight Mobile. Lindo, como se pode ver na imagem!

Foresight Linux - Mobile Edition

Foresight Linux - Mobile Edition

E tudo corria bem… até que uma professora desta minha amiga, utilizando a plataforma LIVRE Moodle, anexou um ficheiro como TPC (não podia escrever directamente na página Web?), primeiro num formato do Word (docx) que nem os alunos com Windows conseguiam abrir, e finalmente, depois de outras reclamações que não a da minha amiga, no formato doc da versão anterior do Word, que, dizem por aí, todos os utilizadores  de computadores têm e conseguem abrir.

Fica aqui uma pergunta. A minha amiga colocou a primeira reclamação. O facto de utilizar Linux foi discriminante? Foi necessário que outros alunos (com Windows) se queixassem para que a situação fosse resolvida? Se utilizas Linux o problema é teu?

Depois de ter instalado o OpenOffice 3.0 na maquina da minha amiga, que já consegue abrir os famosos docx, qual não foi o meu espanto quando deparo com uma única página de texto, simples, onde estão escritas 4 pequenas tarefas. Destaco apenas a que me aborreceu, e motivou este post. É a seguinte:

“Entregue o seu trabalho com a fonte ‘Times New Roman’”

Primeiro! O importante do exercício (digo eu) é comprovar que o aluno sabe utilizar um processador de texto e mudar o tipo de letra. Muito difícil e complicado, sem dúvida. Reparem que não digo “Word”, digo “processador de texto”. Era como se, para nos referirmos aos automóveis, disséssemos “Opel” ou “Fiat”. É incorrecto, pois existem outros processadores de texto.

Segundo! Esta fonte só existe no mundo Windows. Mesmo em Mac OS tem outro nome. O Linux, para poder ser distribuído LIVREMENTE, não pode conter código afectado por patentes, copyright, trademark e outras coisas do género. Portanto, em Linux não existe essa fonte. Eu sei que é possível instalar as fontes do Windows no Linux. Não é isso que está em causa. O que está em causa é um sistema de ensino que obriga os alunos a utilizar uma fonte específica de determinada plataforma, precisamente de uma  plataforma que NÃO PODEM obrigar, senão vejamos:

  • Condenados por monopólio no tribunal europeu. Será que promover ainda mais esta empresa não faz de nós cúmplices?
  • Não promovem a partilha de conhecimento. Como pode este objectivo ser compatível com um ambiente de ensino onde o conhecimento é precisamente o que se quer partilhar?
  • Não promovem a interoperacionalidade. Como podemos tolerar que ao utilizar produtos Microsoft fiquemos automaticamente impossibilitados de utilizar produtos concorrentes, mesmo que isso fosse vantajoso para os utilizadores?
  • Custa dinheiro. (Já não chegam as propinas?) Todos os pontos anteriores são importantes, mas o custo, num ambiente de ensino não pode ser desprezado, principalmente quando a factura é para o aluno.

Um professor não pode obrigar um aluno a comprar uma suite de Office quando existem várias formas gratuitas de divulgar informação digital. Um professor desconhece, e nem é obrigado a isso, a situação financeira dos agregados familiares. Existem imensas famílias que não se podem dar ao luxo de comprar software pago. Por isso, as palavras “standard”, “compatível” e “formatos abertos” têm de entrar no vocabulário dos professores. Não há desculpas! A alternativa, ou seja, incentivar os alunos a utilizar software pago de forma ilícita não pode ser moralmente nem socialmente aceite.

Se até a Microsoft, mesmo que hipocritamente, apregoa a interoperacionalidade, porque motivo pode um professor exigir uma coisa destas? Com que direito?

Tem acções da Microsoft e ganham dividendos com isso?
A Microsoft paga aos professores portugueses para darem formação nas suas tecnologias?

Não! Claro que não! Então porquê? Aceito comentários…

E, contrariamente ao que é costume por parte dos utilizadores de Windows, não é uma questão de info-excluir os utilizadores de Windows do que quer que seja. Simplesmente, o nome da fonte métrico-compatível em Linux tem um nome mais bonito: Liberation!

Este episódio levantou uma questão importante. Por ignorância dos utilizadores de Windows, os utilizadores de Linux podem ser marginalizados. Não podia permitir que a minha amiga ficasse prejudicada por este motivo. Então encontrei este post, dum utilizador que compara as fontes Liberation da Red Hat com as sua equivalentes métrico compatíveis em Windows e Mac OS. (Tomei a liberdade de utilizar as imagens. Créditos para o autor original). Comparem com os vossos próprio olhos. Eu até acho que a fonte Liberation tem melhor aspecto.

Em Windows:

Fonte Liberation em ambiente Windows

Fonte Liberation em ambiente Windows

Em Mac OS:

Liberation em ambiente Mac OS

Fonte Liberation em ambiente Mac OS

Além destas imagens, criei as duas imagens que se podem ver a seguir. Uma foi feita em Linux, com o OpenOffice 3.0 e utilizando a fonte Liberation, métrico-compatível com a ‘Times New Roman’. A outra foi feita como a professora queria, ou seja, em Windows e Word. Desafio qualquer pessoa a identificar a imagem que foi feita no Windows.

Origem secreta

Origem secreta 1

Origem secreta 2

Origem secreta 2

Que concluem? Vale a pena obrigar os alunos a subjugarem-se ao monopólio da Microsoft? Aceito Comentários?

“We shall prevail…”

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“Request for Comments on International Efforts to Harmonize Substantive Requirements of Patent Laws”

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O gabinete de patentes dos Estados Unidos está a elaborar uma proposta para permitir uniformizar a legislação de patentes internacionalmente e querem comentários do público. Só hoje é que recebi o aviso e a data limite é amanhã, dia 22 de Junho de 2008.

Anseio pelo dia em que esta figura legal morra, principalmente no que diz respeito às patentes de software, que já foram discutidas na Europa e chumbadas redondamente. Infelizmente, em vez de acabarem com as patentes de software nos Estados Unidos, voltam à carga com outra proposta, para difundir as patentes, tal como existem nos Estados Unidos, por outros países. Infelizmente, a Europa está incluída! Não vão desistir enquanto não conseguirem os seus objectivos.

Este foi o comentário que enviei:

“Greetings,

Regarding your request for comments in:

“Request for Comments on International Efforts to
Harmonize Substantive Requirements of Patent Laws”
http://www.uspto.gov/go/og/2007/week22/patcomm.htm

This proposal, although written with the best intention, does assume that a patent system is a good thing. Like an AIDS national vaccination program that everyone wants. It is not!

Regarding software patents, you already have many examples that an patent system does not work. It only favors the huge company’s that have  more than enough resources to commit to this task and it slows down the innovation to the rest of the world. A piece of code, an idea, is not patentable. It’s like patenting a though in your brain.

Does the absence of software patents in Europe prevented an American company from making business in Europe? Of course not. Just ask Microsoft. But, what it does prevent is an American company from filling  a law suite against any European company on the bases that it uses some patented computer algorithm.

Software is a special entity because most of the programs, or products, that exists in this days are build from millions of lines of code that contains blocks of well known ways of dealing with well known problems (Algorithms). If one allow a company to patent even one of this algorithm, the rest of the world could be in trouble. And I realize that  a response to this is “but that’s prior art”. Right! But, software evolves by layers, building new programs on top of others (see “Evolution happens elsewhere”). If one allow one company to patent some algorithms, the future of innovation if at risk. And I’m assuming that company’s are fair and honest. But, you probably remember an attempt from Microsoft to patent the operator “not”. Imagine that your office does not understand the importance of this tiny small thing, and a patent is granted. Try to code even a small program without the “not” operator.

And till now I’ve assumed that we are talking about company’s that could pay for patent licenses. But there’s other aspects of software patents.

For example, what happens to education? Can a student learn and code some school project without the risk of getting himself in trouble?

What about Free Software (as in freedom). One can not deny the benefits of Free Software to the society. Everybody can use it for free (as in gratis), so there’s no info-exclusion of people with less resources, and of course, the Internet. The Internet is, for the most part, powered by Free Software and Free Standards, and it would have not evolved as much if the protocols that It stand on belonged to some greedy company.

You need to realize that software patents only benefits the major corporations and it’s not in the best interests of the people.

Thanks for your attention”